Perguntas frequentes
Quem decide o que é relevante na vigilância?
Quem decide é a sua organização. A relevância de um sinal se mede contra as necessidades de informação definidas por quem toma as decisões, e não pela popularidade nem pelo volume. Na Innguma, a IA filtra e classifica os sinais conforme os critérios configurados, e as pessoas decidem o que se vigia, o que se publica e a quem chega.
O que torna um sinal relevante?
Palop e Vicente definiram a vigilância como uma forma «organizada, seletiva e permanente» de captar informação do exterior[1]: selecionar faz parte da definição. A UNE 166006:2018 orienta o sistema a decisões baseadas em informação relevante e confiável à qual se agregou valor[2]. Na prática, um sinal é relevante quando cumpre ao mesmo tempo estes critérios:
- Pertinência: responde a uma necessidade de informação definida, e não apenas a um tema.
- Novidade: acrescenta algo que ainda não estava no histórico.
- Confiabilidade: procede de uma fonte que pode ser identificada e conferida.
- Oportunidade: chega antes de a decisão ser tomada ou de o prazo vencer.
- Impacto: pode mudar uma decisão sobre um produto, um cliente, um investimento ou um cumprimento.
Uma notícia muito difundida pode não cumprir nenhum deles; uma linha em um diário oficial pode cumpri-los todos.
Como se definem as necessidades de informação?
A literatura de inteligência competitiva, a partir do trabalho de Jan Herring sobre os temas-chave de inteligência (Key Intelligence Topics, 1999), agrupa as necessidades em três famílias: informação para decisões estratégicas, temas de alerta precoce e atores que influenciam a organização[3]. Para concretizá-las:
- Parta de decisões, não de temas. «Baterias» é um tema; «saber se um concorrente prepara uma mudança de química em suas células antes da próxima licitação» é uma necessidade.
- Pergunte a quem decide o que precisa saber, com quanta antecedência e o que faria de diferente se soubesse.
- Priorize. Nem todas as necessidades pesam igual; as críticas justificam mais fontes e revisão mais frequente.
- Traduza cada necessidade em entidades, tecnologias, termos e tipos de fonte concretos.
- Defina quando será revisada: as necessidades mudam com a estratégia.
Quem decide cada parte?
| Quem | O que decide | Exemplo |
|---|---|---|
| Diretoria e responsáveis de área | Quais necessidades de informação são prioritárias | Acompanhar três concorrentes e uma norma em tramitação |
| Responsável pela vigilância | Quais vigilâncias, fontes e filtros as cobrem | Patentes em duas classificações, BOE e sites de concorrentes |
| IA da plataforma | Nada: processa segundo esses critérios | Agrupa duplicados e classifica por tecnologia, entidade e tipo de evento |
| Analista | Quais sinais são validados, comentados e publicados | Publica o pedido de patente com um comentário sobre seu alcance |
| Leitores | Se o recebido lhes serve, e fazem isso saber | Pedem retirar um tema e acrescentar outro |
Qual o papel da IA?
A IA da Innguma filtra, agrupa duplicados e classifica cada sinal por categorias, tecnologias, entidades, tipo de evento, lugar e tom. Isso reduz o que uma pessoa precisa ler e permite percorrer o conteúdo por essas dimensões no Feed IA. Mas a IA não fixa as prioridades nem publica por conta própria: o analista revisa e valida no Factory, o espaço em que a Innguma processa e estrutura os sinais, e decide o que passa à Biblioteca. A IA processa. Sua equipe decide. O conhecimento se acumula.
Como saber se o critério de relevância precisa de ajuste?
- Entram muitos sinais que ninguém publica: o filtro é amplo demais. Restrinja termos ou entidades.
- Publica-se muito e lê-se pouco: falha o destinatário ou o formato, e não a captura.
- Uma área fica sabendo de algo por outro canal: falta uma fonte, ou uma necessidade não está definida.
- Os mesmos sinais aparecem em várias vigilâncias: as necessidades se sobrepõem; convém ordená-las.
- O publicado não muda nenhuma decisão durante meses: a necessidade deixou de ser prioritária.
A UNE 166006 segue a estrutura de alto nível dos sistemas de gestão, com avaliação de desempenho e melhoria[2]. Aplicado à relevância, isso significa revisar esses sintomas de forma periódica, e não apenas quando alguém reclama.
Fontes e referências
- [1] Palop, F. y Vicente, J. M. (dirs.). Vigilancia tecnológica e inteligencia competitiva. Su potencial para la empresa española. Fundación Cotec, 1999
- [2] Utrilla, F. Sistemas de vigilancia e inteligencia en la gestión de la I+D+i. La Revista de la Normalización Española (UNE), n.º 3, 2018
- [3] Grèzes, V. The Definition of Competitive Intelligence Needs through a Synthesis Model. Journal of Intelligence Studies in Business, 5(1), 2015 (revisa, entre outros, Herring, J. Key Intelligence Topics, Competitive Intelligence Review, 1999)